SOBRE O VINHO
Este branco extraordinário é elaborado a partir de Chenin Blanc de vinhas antigas, cultivadas em Jasnières, uma das joias menos exploradas do Vale do Loire. Os vinhedos, conduzidos de forma orgânica e sem insumos químicos, estão enraizados em solos de sílex e argila sobre base calcária, que conferem tensão, profundidade e salinidade ao vinho. A fermentação é espontânea, com leveduras indígenas, e o amadurecimento ocorre por cerca de 15 meses em barricas de carvalho usadas, sem adição de sulfitos. O resultado é um vinho de identidade marcante, guiado por uma filosofia de mínima intervenção, que privilegia a expressão pura do terroir. No nariz, exibe um buquê expressivo e multifacetado, com notas de mel silvestre, marmelo, casca cítrica, especiarias, lanolina e um leve toque de queijo de ovelha. Em boca, é vibrante e elétrico, mas sem excessos — um branco que pulsa, com acidez viva, textura envolvente e final salino e prolongado, como um relâmpago distante que deixa seu eco em camadas sápidas e persistentes. Um vinho salino, saboroso e absolutamente cativante, que desafia convenções e recompensa quem busca emoção e autenticidade em cada taça.
FICHA TÉCNICA
Produção: orgânica Uva: 100% Chenin Blanc Graduação Alcóolica: 12, 5% Acidez: alta, refrescante e salina Coloração: cor dourada clara Nariz: aromas expressivos de frutas de caroço, cítricos, especiarias e notas minerais. Boca: é vibrante, com acidez refrescante e final salino, refletindo a pureza do terroir e a filosofia de mínima intervenção de Robinot.
SOBRE O PRODUTOR
Jean-Pierre se apaixonou por vinhos ainda jovem. Mudou-se para Paris, conheceu alguns dos verdadeiros pioneiros do movimento dos vinhos naturais e, pouco depois, abriu um dos primeiros bares dedicados a esses vinhos na cidade, o L’Ange Vin, além de fundar a principal revista francesa sobre o tema, a Le Rouge et Le Blanc. Era apenas uma questão de tempo até que não conseguisse resistir ao impulso de se juntar aos vignerons que tanto admirava e, no início dos anos 2000, deixou Paris e voltou com sua esposa Noella para o vilarejo onde cresceu, para fazer exatamente isso. Os Robinot cultivam um total de sete hectares de vinhedos em duas denominações no extremo norte do Loire: Jasnières e Coteaux-du-Loir. As vinhas estão plantadas em uma combinação de argila vermelha, calcário e sílex, e são conduzidas de forma orgânica, com a maior parte dos tratamentos sendo feitos com infusões de plantas silvestres como urtiga e samambaia. Embora os vinhos sejam engarrafados sob o nome L’Ange Vin, eles ocasionalmente compram uvas de amigos e produzem sob o pseudônimo L’Opéra des Vins. As fermentações ocorrem em um labirinto de antigas cavernas calcárias sob os vinhedos. Elas são lentas e contínuas, podendo durar meses — às vezes, anos — com os vinhos repousando sobre as borras em barricas antigas pelo tempo que for necessário. No entanto, há método nessa loucura: Jean-Pierre é um mestre do élevage (criação do vinho), e quando finalmente cada garrafa é engarrafada — sem qualquer adição — o vinho atinge um nível de energia, equilíbrio e vitalidade difícil de encontrar em qualquer outro lugar. Com a filha Juliette agora trabalhando ao lado de Jean-Pierre nos vinhedos, o futuro é promissor para um dos produtores mais icônicos do vinho natural. |

